Planejar um destino de ecoturismo, não é tarefa simples.! Quem me segue no Instagram @blogdaisbellaricci, todo domingo pode participar da enquete da Batalha Turística. E toda segunda-feira, aqui no blog vou dar uma abordagem mais técnica sobre a temática escolhida. Ontem, o tema foi “Destinos de ecoturismo no Brasil”. Entre praias, cachoeiras, montanhas, chapadas e toda essa natureza exuberante que o Brasil tem, tivemos como as escolhidas do público: Jericoacoara/ CE, Lençóis Maranhenses/ MA e Itacaré/ BA mostrando a lindeza do litoral nordeste. Na região sudeste, tivemos como ganhadores Alto Caparaó e Ibitipoca em Minas Gerais, Brotas/ SP e Pedra Azul/ ES. E o centro do Brasil mostrando a que veio, com toda sua exuberância, com a Chapada Guimarães/ MT, Bonito/MS e o Pantanal, com porções nos 2 estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Mas um destino de ecoturismo, para ser lucrativo e sustentável, precisa de um grande esforço conjunto. E planejar é obrigatório para os destinos que querem se destacar neste segmento! Portanto, vamos conferir 9 dicas essenciais para o planejamento de um destino de ecoturismo!

Considere no planejamento os ODS da Agenda 2030

A ONU – Organização das Nações Unidas, criou durante a Cúpula das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável em setembro de 2015 a Agenda 2030. São 17 objetivos e 169 metas a serem atingidos. Os temas estão divididos em 4 grandes dimensões: Social, Ambiental, Econômica e Institucional.

Portanto, para falar de sustentabilidade no turismo é importante que o destino esteja alinhado à Agenda 2030. Afinal, todas as quatro dimensões têm impacto direto na atividade turística.

Zoneamento para as práticas de ecoturismo

Entenda e delimite claramente quais são áreas de visitação turística para o seu destino de ecoturismo. O que vai estar aberto e o que não estará. É importante também ter claro quais áreas são propriedade privada e negocie com os proprietários um possível uso turístico. São essas negociações e possibilidades que vão aumentando a renda da população local.

Considere todo o planejamento: municipal e regional

O Plano de Ecoturismo deve estar em conformidade com outros planos já construídos. Portanto, estude e alinhe primeiro o plano diretor, o plano municipal de turismo (se este estiver separado do plano diretor) e o plano regional de turismo. Tente responder às seguintes perguntas: Estes planos já contemplam a segmentação de ecoturismo? Se sim, em que nível de detalhamento esses planos chegam? O que já está pronto e que não precisará ser refeito?

Com essas respostas, provavelmente o seu plano de ecoturismo já saiu do estágio inicial e certamente, será possível ter um plano que agregue aos objetivos e projetos já pensados para o município. E não deixe de entender o mercado, afinal estamos falando de um destino lucrativo, não é?!

Qualidade x quantidade: diferentes usos criam diferentes impactos

Analise o impacto ambiental que atividade traz ou trará no zoneamento delimitado do destino de ecoturismo. Este é o estudo de capacidade de carga turística, que irá compor o planejamento. O estudo, entre outras coisas, irá avaliar e quantificar os principais riscos: saturação do equipamento ou área turística, degradação do meio ambiente e possibilidade de redução na qualidade da experiência turística.

Planeje qual será o uso de cada área e cada equipamento, levando em conta que cada uso gera um impacto diferente. Por exemplo: uma trilha de trekking irá causar menos danos ao meio ambiente do que uma trilha de moto. Diante destas percepções, ficará mais fácil executar o plano e prever as fiscalizações necessárias.

Parceria entre órgãos de Turismo e de Meio Ambiente

O plano de ecoturismo deve envolver secretarias e conselhos de turismo e meio ambiente. Afinal, este plano precisa conversar com tudo o que acontece nas respectivas pastas. Se essa sinergia não acontecer dos dois lados, o plano de ecoturismo corre o risco de não sair do papel.

Cada secretaria tem uma percepção do objeto em questão, e estas percepções são essenciais na construção e execução do seu plano. Lembre-se, o município é um só e deve ser tratado em toda sua amplitude!

Envolva a comunidade

A comunidade local é quem irá prover grande parte da experiência turística. Seja na abertura de propriedades para visitação, na disponibilização de hospedagens e locais de alimentação dos turistas, e no guiamento ou serviços de receptivo. Portanto serão os maiores geradores de emprego e renda, por isso precisam ser envolvidos desde o início.

Faça um plano de gestão da atividade

Tão importante quanto ter um plano de ecoturismo, é possuir também o plano de gestão da atividade. Como este plano será implementado? Quais os prazos? Qual o custo? Quem estará envolvido? Como serão utilizados os recursos humanos e financeiros? E como será feita a manutenção das áreas zoneadas? Como estarão organizadas as rotinas do plano?

Todas estas perguntas precisam ser respondidas, tanto no momento da implementação quanto depois, quando a atividade já estiver em pleno funcionamento. Aliás, este é o momento mais importante para o bom desempenho do destino. O monitoramento constante das ações e o replanejamento, caso necessário.

Desenvolva projetos educacionais regularmente

Projetos educacionais e de sensibilização não podem parar nunca em um destino turístico! Portanto, quando se termina um projeto, logo outro já deve ser iniciado. Estes projetos podem ser organizados em:

  • Capacitação e qualificação da mão de obra: voltado para quem quer atuar no setor de maneira profissional, isso elevará muito o score do destino. No caso de destinos de ecoturismo, atenção para curso e reciclagem constante de guias de turismo.
  • Educação para os turistas e visitantes: voltado para quem utiliza os atrativos naturais, devem prever ações regulares e criativas de sensibilização e trato no meio ambiente. Especialmente abordando a importância de não danificar os locais visitados.
  • Educação para o futuro: faz parte do presente educar crianças e adolescentes para o uso do meio ambiente, agora e no futuro. Deve-se incluir entre o ensino das práticas de uso e sustentabilidade o turismo. Assim, será possível perceber também carreiras no setor.

Busque apoio para financiamento

Um plano de ecoturismo precisa prever além dos custos de implementação! Os custos de manutenção de atrativos naturais são mais regulares do que em outros segmentos e precisam estar em dia. Devem estar previstos em nível mensal, custos de manutenção de trilhas e capinas necessárias, de sinalização turística – que por estarem em áreas mais remotas sofrem com o vandalismo, limpeza e projetos de educação ambiental.

Portanto, consulte regularmente editais de parceria para as ações previstas no plano. Empresas privadas são grandes apoiadoras quando encontram iniciativas organizadas e que podem dar retorno positivo de imagem.

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