Não há dúvidas da notoriedade que uma boa gestão pode proporcionar a carreira de um profissional. Já atuo no turismo há cerca de 20 anos, de lá para cá muita coisa mudou no mercado, inclusive eu. Por isso, acho importante compartilhar experiências que eu vivi no turismo.

Ser convidada para falar de políticas públicas, regionalização e da minha atuação à frente da Associação do Circuito do Ouro (ACO) tornou-se comum, enquanto eu estava por lá. Estive presente em diversos eventos por Minas Gerais e fora do Estado nesses anos de Circuito do Ouro, mas confesso que Barra do Garças, no Mato Grosso, foi uma grata surpresa. Tanta que resolvi criar esta coluna “Destinos Improváveis”, porque nessas andanças tenho visto tanto lugar bacana, que vale a pena compartilhar esses destinos ainda pouco falados, mas já cheios de personalidade.

Da negociação ao início da viagem

Nossa negociação foi rápida. Em menos de dez dias, fui acionada pelo Sebrae MT, conversamos sobre a palestra e ajustamos a logística. Confesso que o acesso foi cansativo. Saí de Belo Horizonte, na sequencia avião até Goiânia e depois mais 400 km de ônibus.

Porém, no ônibus, já começou bem. Minha companheira de viagem era uma senhora paulista, Dona Ana Maria, que morou em Minas Gerais e já há alguns anos vive em Barra do Garças, esse foi meu primeiro contato com a cidade e já gostei!

Sobre a cidade e o evento

A cidade fica na divisa de Goiás com Mato Grosso, é só atravessar a ponte sobre o Rio Araguaia e pronto! Entramos no Mato Grosso. No dia seguinte, fui participar do 1º Fórum de Turismo do Araguaia para falar sobre gestão de instâncias de governança, com o case do Circuito do Ouro.

Antes de mim falou o Jefferson Moreno, Secretário Adjunto de Turismo do estado. Mais uma surpresa! Sem estrelismo nenhum, ele falou sobre os projetos do Estado, entre eles, o “Mato Grosso para Mato-grossense”.

Conversando com o Secretário Adjunto de Turismo do MT Jefferson Moreno

Durante a nossa conversa, perguntei o porquê do projeto e ele constatou aquilo que sabemos que acontece em vários lugares: o morador não conhece o próprio Estado. Isso também acontece em Minas Gerais, não é raro chegar em uma cidade que sabemos ter coisas legais para se fazer e um morador falar que não tem nada por lá.

Estratégias dentro do Turismo

Pensando em nível estratégico, a ação do Jefferson é uma ação de sensibilização de comunidade e de movimentação do mercado.

Acompanhe comigo: tarifas diferenciadas para os moradores, valorização interna do destino, ocupação dos empreendimentos turísticos em períodos ociosos e uma imensidão de gente falando com propriedade o que se tem para fazer por lá.

Parece óbvio né?! Mas por que vemos tão poucas iniciativas criativas de sensibilização?! Às vezes, é necessário articular ações que já estão prontas, e para isso é preciso observar o que está acontecendo ao redor.

O Jefferson veio da iniciativa privada, ele tem um ritmo mais dinâmico. Perguntei para ele sobre como assumir esse posicionamento mais técnico e acelerado na gestão pública e segundo ele, o importante é tentar desburocratizar a máquina pública. Mas como?

Por lá, ele envolve nos projetos de todas as instituições que de alguma forma “emperram” e “burocratizam” os projetos, chamando-as para a construção conjunta desde o início.

Se eles participam, além de acabarem se apropriando dos projetos, já conseguem dar o “caminho das pedras”. Eu sempre pensei que o bom gestor vai alocar as competências ideais nos locais corretos. De que adianta o melhor profissional na atuação errada?

Descobrindo as dificuldades

Mas nem tudo são flores. Uma das dificuldades por lá, é a atuação dos conselhos municipais e estadual de turismo. Pessoal pouco proativo e sem representação de segmento. Isso acontece em diversos lugares. Por isso em breve vou falar sobre a atuação dos conselhos de turismo, para que você entenda um pouco melhor. Afinal, é um problema que vejo acontecendo desde sempre. Por fim, temos no Sebrae o grande articulador do empreendedorismo e segundo a Lidiane Ângelo, Gerente da Agência Sebrae de Barra do Garças, apesar de já estar bem melhor hoje em dia, os empresários ainda precisam entender melhor a atuação do Sebrae e principalmente, a necessidade de planejamento, sabendo que nem sempre os resultados são imediatos.

Estou vendo o Brasil se movimentar no turismo, ainda com muitas dificuldades, mas vejo um setor com sede de conhecimento. Os destinos improváveis, se continuarem nesse ritmo, em pouco tempo, se tornarão destinos indispensáveis. E você? Tem um Destino Improvável para me apresentar? Comente aí!

Ah, e se quiser ter acesso a mais conteúdo sobre Planejamento do Turismo, não deixe de acessar o meu canal no YouTube e baixar o e-book gratuito “12 Dicas Essenciais para um Municipal de Turismo Eficiente”, clicando aqui.