Você já deve ter visto aqui no blog que os textos são separados em categorias. É certo que alguns podem compor mais de uma categoria, mas sempre há uma que tem um holofote especial. E hoje vou falar sobre “destinos reais”, no caso Itacaré na costa do cacau na Bahia. O que são esses destinos? São destinos turísticos que simplesmente acontecem. O potencial turístico é tão latente, que não dá para esperar um planejamento. Alguém vai lá, visita, descobre aquela pedra bruta, e vai contanto para os amigos. E esses amigos vão, e de repente alguns vão querendo não só visitar, mas morar ali. De repente começam a aparecer pousadas, restaurantes, lojinhas e pah! Aconteceu! Virou um destino turístico, e agora?!

Eu tive a sensação que Itacaré é um destes destinos. Praias maravilhosas e com uma cereja no bolo: praias para banho e praias para surfistas, o que garante o grande público e público segmentado. São raros os destinos que conseguem unir assim dois públicos. Por outro lado, senti falta de algumas coisas, que não estavam claras para o turista, vamos conferir do que eu senti falta e onde eu achei que Itacaré deu show.

Sinalização

Como em inúmeros destinos brasileiros, Itacaré peca na sinalização turística, até mesmo para quem está a pé. Existem algumas indicações de praias, mas elas não te levam à porta dos atrativos. Na pousada que ficamos, por exemplo, na esquina havia uma placa que indicava a Praia da Concha – a mais central – mas depois não tinha mais nenhuma. E apesar de perto, precisava um ziguezague para chegar até lá. A sinalização turística orienta o turista e reduz o tempo de entendimento do destino. Há outros investimentos que podem reduzir a quantidade de placas, como aplicativos de celular (que devem ser amplamente divulgados, se existirem e forem confiáveis), treinamento constante dos trabalhadores do setor e a famosa sensibilização da comunidade. Afinal, qual turista resiste a perguntar a um morador a típica frase: “e aí?! O que tem de bom para se fazer aqui?!”

Associativismo

Apesar de extremamente receptivos, deu um sentimento de que o pessoal em Itacaré não atua de forma muito associada. É importante lembrarmos que o turismo funciona em sistema, aprendemos isso no primeiro período da faculdade. Na prática, se esse sistema é quebrado, a experiência do turista pode ser levemente atingida ou gravemente comprometida. Explico. Em dois restaurantes que fomos, perguntamos ao garçom se tinha como chamar um taxi para voltarmos para o hotel e nos dois, a resposta foi: – Não temos o contato de nenhum! Confesso que essa resposta foi surpreendente! Se não há sinalização clara, se existem taxis na cidade, se na internet tem até uma associação de taxistas, por que é que os bares e restaurantes não têm o contato deles gente?!

Claro que podemos olhar no Google, como fizemos, vamos combinar que nem sempre a internet está disponível e faria uma grande diferença esse mimo no atendimento, não é?! Aliás esse é o nosso próximo tópico sobre Itacaré.  

Atendimento

Esse foi nota mil em Itacaré! Desde a pessoa mais simples, ao atendimento mais personalizados fomos extremamente bem atendidos. Aliás, sabe aquele local que parece que o morador não gosta do turista?! Definitivamente não é em Itacaré. Fomos recebidos com sorriso em todos os lugares que fomos, sem falar na presteza para solução de problemas que tivemos.

O taxista que conseguimos encontrar no Google no primeiro dia, deu o WhatsApp e nos atendeu todas as vezes que precisamos. Quando não dava para ele mesmo nos buscar, ele indicava o pai, também taxista (e super divertido, o Seu Ed), e quando não dava para nenhum dos dois, ele indicou um terceiro. Nos restaurantes que fomos, o atendimento surpreendeu! Fiz um texto só sobre atendimento na minha coluna semanal no jornal Estado de Minas, você pode conferir clicando aqui.

Nas barracas o atendimento também foi excelente, valendo cada 10% de taxa de serviço, não obrigatória. Outra coisa legal nos atendimentos foram os protocolos adotados nos estabelecimentos fechados e também nas barracas das praias.

Protocolos COVID 19

A cidade não estava lotada, tanto pelo que percebemos como pelo que conversamos com o pessoal de lá. Entretanto, alguns locais tinham um pouco de aglomeração sim, principalmente à noite na rua da Pituba, onde se concentra o comércio de Itacaré. Porém, as aglomerações que vimos foram ocasionadas pelos próprios turistas e deu facilmente para ficarmos afastados, sem comprometer a qualidade da nossa viagem. Sabe por que?! Porque o pessoal de lá está levando a sério o uso de máscaras e o distanciamento razoável entre as pessoas.

Nas praias, os atendentes das barracas o tempo inteiro de máscara e em algumas, até de óculos de proteção. Nos restaurantes a mesma coisa, e as mesas numa distância que nos pareceu segura.

Conclusão

Um destino turístico real é assim, tem coisa pronta e coisa por fazer. Respondendo à pergunta do primeiro parágrafo, não dá para só deixar acontecer, senão não é possível saber o que acontecerá em alguns anos e nem prever qual será o impacto da atividade turística, seja em espaços naturais ou urbanos.

A minha percepção, apesar de técnica, é apenas da minha vivência por lá. Não entrevistei nenhum gestor público e não sei como o COMTUR de lá atua. Mas uma coisa é fato, para qualquer destino turístico, turismo para ser atividade sustentável tem que ser planejado e gerido com profissionalismo e continuidade, senão não cumpre a promessa de desenvolvimento.