Ontem, dia 03 de setembro de 2020 foi lançado em Ouro Preto o Plano de Retomada do Turismo tendo em vista os grandes impactos que o setor teve por causa da pandemia do Covid 19. Baseada nas notícias e nas minhas percepções como turismóloga, resolvi escrever este post para que você entenda o Plano de retomada do turismo no Brasil, e ainda veja as minhas percepções sobre os impactos desta retomada. Vou abordar também minhas leituras positivas e críticas sobre o plano. Vamos lá?

Entenda o Plano de Retomada do Turismo

Segundo o site do Ministério do Turismo, o plano está organizado em dois grandes eixos: um que visa a segurança para o Brasil retomar o setor do Turismo e outro que busca retomar a economia através da geração de empregos.

Diversas autoridades estiveram presentes em Ouro Preto, para o Plano de Retomada do Turismo

As principais ações apontadas no lançamento são: incentivo ao turismo rodoviário, a criação de um portal para atrair investidores privados, divulgação da primeira rota gastronômica do país, um documento com os destinos religiosos, uma política voltada exclusivamente para o turismo rural e ainda, o repasse de R$13,5 milhões para que os estados façam a promoção de seus atrativos turísticos. Além de projetos de capacitação em biossegurança para trabalhadores do setor.

Essas ações foram construídas baseadas na análise de tendências e estimativa de comportamento dos turistas, neste momento de retomada.

O evento ainda explicou o “Selo Turismo Responsável” , o qual já conta com mais de 20 mil selos emitidos. Segundo o Ministério do Turismo, em breve será lançado uma plataforma digital, na qual o turista poderá consultar quais estabelecimentos do setor possuem o selo.

Outra medida apontada, foi a Lei Aldir Blanc, que oferece um auxilio emergencial para os trabalhadores da cultura. Na live do dia 23 de julho falei também sobre a lei e seus impactos, veja o vídeo no YouTube clicando aqui.

E por fim, falando de repasses, o Ministério do Turismo apresentou 3 iniciativas:

  • Repasse “Minas para Minas” no valor de R$3 milhões, para a divulgação de destinos e impulsionamento do turismo regional

  • Assinatura de um protocolo de intenções com o BDMG (Banco de Desenvolvimento do Estado de Minas Gerais), para atuar como agente financeiro no FSA (Fundo Setorial do Audiovisual)

  • R$300 milhões via Fungetur (Fundo Geral do Turismo) para operação de crédito para o setor do turismo, via BDMG. O Banco já recebeu R$90milhões para iniciar as operações. O Fungetur Giro tem taxa de 0,4% a.m. + INPC, carência de até 12 meses e até 48 meses para pagar. Saiba mais no link, do BDMG clicando aqui.

Sendo positiva no Plano de Retomada do Turismo no Brasil

Destaco os dois eixos do plano como essenciais na retomada do setor. Afinal, a população já deu claros indicativos da importância da existência, e do cumprimento dos protocolos de biossegurança na volta às viagens. E se por um lado o plano se voltou para a retomada comercial, por outro ele foi justamente na grande ferida que a pandemia do covid 19 gerou no setor do turismo: os empregos.

Segundo a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), em abril de 2020 a estimativa era que o setor perdesse 295 mil empregos, em três meses. Já em junho de 2020, essa estimativa saltou para 730 mil empregos perdidos no turismo. Portanto, medidas que venham para retornar estes postos de trabalho e até mesmo criar outros, são medidas de urgência. Afinal, já sabemos que o turismo paga mal, desde os níveis mais operacionais, até os mais estratégicos, com raras exceções. Mas se já estávamos pensando em crescimento do setor, e até mesmo em planos de carreira, antes da pandemia, agora então, retomar esses empregos é o primeiro passo.

Outro ponto importante é destinar recursos financeiros ao setor. Sabemos que a maior parte da cadeia produtiva do turismo, está concentrada em micro e pequenas empresas. Portanto, esses pequenos empreendimentos precisam de capital para manterem-se vivos. Tão importante quanto, é a atração de investidores para o setor do turismo no país. Pois se tivermos uma balança entre os grandes e os pequenos, além de aumentarmos nossa capacidade de atendimento a diversos perfis de turista, do ponto de vista econômico conseguimos diversificar mais, aumentar as receitas e dessa forma, desenvolver o setor.

Políticas voltadas para segmentos específicos do turismo me agradam muito. Afinal, cada segmento do turismo possui certas particularidades que precisam ser percebidas e trabalhadas. Então, ações e projetos voltados para turismo gastronômico, religioso e rural, me parecem iniciativas importantes e com grande capacidade de gerarem resultados positivos.

Sendo crítica no Plano de Retomada do Turismo no Brasil

Como nem tudo são flores, também tenho algumas percepções um pouco críticas sobre o Plano de retomada do turismo. A principal delas, é que não encontrei a íntegra do plano em minhas pesquisas pela internet. Portanto, os eixos e as ações apresentadas apesar parecerem coerentes com a realidade que o setor vive, ficam sem amarração quando o trade não tem acesso a como esse plano será executado e como está amarrado. Se eu tiver acesso a íntegra do plano, prometo que volto aqui e faço mais análises.

Uma das coisas que mais me incomodam nas iniciativas do setor do turismo, é a falta de continuidade nos planos e projetos. Isso não é de agora, mas novamente não vimos nada voltado para a Política de regionalização do turismo, por exemplo, que exige tanto dos municípios e das regiões turísticas, mas que pouca coisa apresenta para valorizar e estimular aqueles que a seguem. Nesse sentido, confesso que achei estranho o lançamento da primeira rota gastronômica do país, visto que já temos tantos destinos consolidados, como a Rota do Queijo Canastra, por exemplo.

Ou seja, o que mais sinto falta, é a continuidade de políticas, projetos e ações para o já tão sofrido setor do turismo. Sempre um recomeço acaba desestimulando tantos que poderiam fazer tanto pelo nosso país. Mas ainda tenho a esperança que conseguiremos equacionar tudo isso, e que estes incômodos são apenas parte do nosso crescimento.