A saída do Ministro do Turismo no Brasil Marcelo Álvaro Antônio e nomeação de Gilson Machado para assumir a pasta tem gerado diversas especulações, apresentando cenários para os rumos da política e do turismo no país, e palpites sobre a atuação de cada um deles até ontem. Um à frente do Ministério do Turismo e o outro à frente da Embratur. Mas você sabe qual o papel de cada um no desenvolvimento do turismo no país?!

Política Pública de Turismo e Política Eleitoreira

Desde ontem tenho lido bastante sobre o assunto, e estou pensativa sobre alguns pontos. Primeiro, e principalmente, pelo fato de como diversos formadores de opinião não entendem absolutamente nada sobre como funciona a máquina de gestão do turismo em nosso país. E quando não se entende (e não se busca entender) a parte técnica, acaba sobrando essa polarização política sem fim que estamos vivendo. Portanto, não vou falar aqui de política eleitoreira, mas de gestão e política pública. Sim, são coisas diferentes! Mas esbarram em pessoas que precisam assumir o cargo e achar um ponto de equilíbrio entre os dois.

Então não me importa aqui quem é da direita, da esquerda ou do centrão. Nem quem estava fazendo amarração política no legislativo. O que vou levantar aqui é sobre como os especialistas de plantão – e muitas vezes os próprios chefes da pasta – não entendem quais deveriam ser as atuações técnicas do Ministério do Turismo e da Embratur. E aí ou condenam ou aplaudem, apenas pelo viés político, esquecendo-se que o Turismo é uma importante área de desenvolvimento econômico e social para o país, capaz de gerar empregos, gerar e distribuir renda e com planejamento e gestão, não destrói, mas renova. Portanto, existe um motivo para a existência do Ministério do Turismo e da Embratur. E cada um tem uma função definida. Vamos entender melhor?!

O Ministério do Turismo e a Embratur

Primeiramente vou apresentar uma linha do tempo, que na minha opinião, explica muito sobre a confusão que as pessoas fazem sobre estas duas importantes estruturas, e consequentemente sobre o papel do Ministro do Turismo e do Presidente da Embratur.

Linha do tempo com os 3 marcos históricos da Embratur

Essa linha do tempo explica então que a primeira estrutura de gestão para pensar o turismo no Brasil foi a Embratur, que nasceu em 1966. Naquela época, como uma autarquia, ela era a responsável por, ainda que embrionariamente, conduzir o turismo como atividade econômica no país. Então, em 2003, nasceu o Ministério do Turismo, ficando este, como responsável pela gestão das políticas públicas de Turismo. E a Embratur?! Bom, ainda como empresa pública ficou responsável exclusivamente por fazer a promoção internacional do Brasil. Para isso, foram criados escritórios estratégicos em diversos países, com a finalidade básica de estimular os estrangeiros a visitarem o Brasil.

Em 2020, a Embratur se transformou em Agência Brasileira de Promoção Internacional do Brasil. E o que significa isso?! Essencialmente, que seu orçamento será mais robusto, com recursos oriundos do Sebrae, maior agilidade das ações e possibilidade de parcerias com a iniciativa privada. Mas a função básica, permaneceu a mesma: promoção internacional do turismo do Brasil.

O Ministro do Turismo e o Presidente da Embratur

Então cada líder, Ministro do Turismo e Presidente da Embratur, dessas pastas tem uma função muito clara a ser desempenhada, que não se chocam, mas se complementam. E é aí que tenho visto a confusão dos “especialistas”! Na ânsia de apoiar ou repudiar o governo, Marcelo e Gilson se tornam vilão ou mocinho, dependendo do especialista que está analisando. Hoje cedo, estava assistindo a CNN Brasil e aquelas já populares dobradinhas de direita e esquerda sobre o tema da demissão. E o que eles falavam?!

O da “esquerda” dizia que a partir de agora o Ministério do Turismo precisa pensar em desenvolver o turismo interno por causa da pandemia, e mais, que nesse sentido precisa solucionar as questões das estradas que estão em más condições. Bom, se não é isso que não só Ministério do Turismo já estava fazendo, como todo o trade, o que estava acontecendo? Há meses, todo mundo já entendeu e já começou a trabalhar o turismo interno. Não vai ser novidade alguma. E quanto as estradas e rodovias vergonhosas do nosso país, não tem um Ministério de Infraestrutura para isso?!

Já o da “direita” disse que o agora ex-presidente da Embratur tem feito um trabalho extraordinário à frente da Agência. Citando que ele ajudou a ressuscitar o turismo interno no país. E mais, que devido a ele, uma parte dos bilhões que os brasileiros levavam para fora agora ficará por aqui, no turismo interno. Fica a pergunta: é esse o papel da Embratur?

Ou seja, nenhum dos dois especialistas nesse caso consegue entender o real papel das duas instituições de turismo do governo federal. Ora, se a Embratur está trabalhando turismo interno, tem alguma coisa errada aí, não?!

Conclusão

Portanto, agora que você teve uma leitura técnica já fica mais fácil de formar uma opinião. Na minha, apesar de saber que a política de partidos e tudo que ela envolve é uma realidade necessária, penso que algumas áreas de desenvolvimento do país precisam ser percebidas tecnicamente. O turismo é uma alternativa de desenvolvimento real e precisa ser tratado com seriedade, não só pelo governo, mas também pelos grandes empresários e investidores e pela população. Os jornalistas e economistas que comentam sobre o tema precisam se inteirar e estudar mais do assunto. Precisam entender a máquina do turismo tal qual entendem macroeconomia, taxa Selic, juros, balança comercial e etc. Não dá mais para comentar sobre turismo baseado na sua última viagem de avião e na sua última hospedagem, ou achar que uma experiência bacana vivida em Paris dá para ser replicada por aqui de qualquer maneira. Não dá mais, para os blogueiros de viagem apontarem as tendências do setor no país. Eles são importantes sim, na divulgação de destinos do nosso Brasil e isso fazem lindamente! Mas viajar apenas e saber utilizar as milhas não torna ninguém especialista no setor do turismo, como o vetor de desenvolvimento econômico e social que ele é.

Por enquanto ficamos com alguns verdadeiros guerreiros espalhados pelos estados e municípios, que têm conseguido, a duras penas, equacionar o político e o técnico para transformar o turismo em um dos grandes setores de crescimento do Brasil!