Agora que você já leu a primeira parte de roteirização de destinos turísticos, e já sabe claramente a diferença entre roteiro e pacote turístico, é hora de seguir neste tema. Mas agora vamos nos atentar as questões práticas da roteirização. Apesar de estar claro “o que é”, vamos saber o “porquê” roteirizar um destino turístico. Quais são os benefícios reais de seguir por essa linha na gestão de destinos?! E depois de roteirizar? O que fazer?!

Siga lendo o texto que vou tentar clarear essas questões para você!

Para quê roteirizar?

Antes de mais nada é preciso perceber a complexidade de um destino turístico, seja ele um município ou uma região. Infelizmente, quando vamos tratar de planejamento turístico, na maioria das vezes nos prendemos aos seguintes itens: atrativos turísticos – vamos aqui entender esses atrativos como tudo que têm a capacidade de fazer com que a pessoa tenha vontade de ir ao seu destino, podem ser culturais, naturais, eventos ou outros. E ainda, os meios de hospedagem, alimentação, acessos e mobilidade.

Pois bem, o que fazemos após isso? Colocamos tudo num “balaio”, fazemos um site (ou similar) e sem critério algum de escolha (a não ser o político muitas vezes) elencamos ali isso tudo, sem nos preocupar em como a outra ponta, o nosso turista vai absorver aquilo tudo.

Se você está acompanhando meu raciocínio, a este ponto você já tem a resposta, não é? É isso mesmo! Roteirizar serve para facilitar o consumo do seu destino. Serve para transformar toda essa oferta turística em segmentos mais fáceis de serem entendidos e, por consequência, mais fáceis de serem consumidos.

Vamos lembrar que possivelmente, a maior parte dos nossos turistas estão indo ao destino pela primeira vez. Então seja ele autoguiado ou agenciado, se o roteiro falar a língua do seu turista e for direto na motivação dele para viajar, ele será mais facilmente convencido de que “aquele destino” tem que ser visitado por ele.

Benefícios da roteirização de destinos turísticos

A roteirização vai dar um tom mais didático ao destino turístico, isso facilitará não só o consumo pelo turista, como já falamos antes, como também o estabelecimento de parcerias para viabilizar o roteiro. Veja abaixo alguns tópicos práticos que mostram os benefícios da roteirização:

  • O empresariado vai entender bem mais facilmente onde ele se encaixa no destino. Isso vai acontecer naturalmente com grande parte deles.
  • A roteirização em si já é uma forma de sensibilização de comunidades, afinal ela mostra aos próprios moradores “o que é que se tem para fazer naquela cidade”, sob outro ou outros ângulos.
  • Novas formas de explorar o turismo podem aparecer, uma vez que vai ficar mais claro como aquele destino está organizado “turisticamente”.
  • Patrocínios às suas iniciativas serão mais fáceis de serem captados, já que agora todo mundo entende como o destino turístico está organizado
  • As agências de viagem nunca deram atenção para o seu destino?! Talvez agora fique mais fácil de “vender” o seu destino, afinal ele está mais didático.

Roteirizou?! Agora é hora de traçar o Plano de Marketing

Não subestime o poder de um bom plano de marketing! Um plano bem feito, certamente irá gerar fluxo turístico e dar visibilidade ao destino turístico, para isso é muito importante que alguns pontos estejam no seu plano de marketing.

Não entregue o seu plano todo para uma agência de publicidade fazer. Em algum momento ela pode ser sim muito importante, mas antes de tudo os gestores do seu destino – quem melhor que o COMTUR?! – tenham claro quem são os seus concorrentes. É muito importante também que seja feito um posicionamento de mercado e a análise SWOT (ou FOFA) para que todos entendam o ambiente interno e externo do mercado. Defina quem é ou quem são as personas do seu destino turístico. Para que você entenda melhor, as personas de hoje são o nosso antigo público alvo. E por que persona?! Porque ao definir sua persona, você traça um perfil mais humano do seu turista, isso facilita a construção da estratégia e a execução das ações.

Marketing de roteiros turísticos na prática

Já que parte conceitual está pronta, é hora de partir para a execução. Defina as ações do plano, mas não se esqueça de duas coisas: primeiramente, lembre-se que é um plano de marketing de destino! Não cabem aqui ações institucionais. Afinal, seu turista não quer saber quem é o presidente do COMTUR, ok?! Aliás, ele nem sabe o que é isso. Em segundo lugar, não deixe de lado o marketing digital. Considere todo um planejamento só para o seu ambiente digital.

Uma vez que, seu planejamento já está todo desenhado, coloque preço e prazo no seu plano de marketing! Faça orçamento para todas as ações. Caso contrário, há uma grande chance do seu plano ir para a gaveta e quando tiver dinheiro para a execução ele já vai ter “caducado” e aí só restará uma coisa, recomeçar. Se o plano ficou além da sua capacidade de execução, trace as prioridades. Se não der para executar 100%, comece por algum lugar. Feito é melhor que perfeito, o que não significa mal feito hein!

E por fim, lembre-se: o turista de hoje compra experiências e histórias! Ele não quer só assistir ao seu destino, ele quer vivenciar. Lance mão também da subjetividade, ou seja, histórias, lendas e contexto humanizam o destino. Não fique só no discurso, tente fazer isso de verdade. Não vai acontecer da noite para o dia, mas se você começar agora, vai acontecer!

Quer saber o que o Circuito do Ouro ganhou depois que foi roteirizado? Confira o vídeo no canal da Isabella Ricci no YouTube.