Roteirização de destinos turísticos, essa é uma questão que sempre é levantada. Vale a pena roteirizar meu destino? Seja ele uma região ou um município, a resposta é sim. Mas para fazer a roteirização é importante levar em consideração alguns conceitos e definir uma estratégia antes de começar. Nesse post vamos falar um pouco sobre esses conceitos e sobre a criação da estratégia!

Roteiro Turístico x Pacote Turístico

Antes de tudo é preciso deixar claro que não se pode cair no erro clássico de confundir roteiro com pacote turístico. Em primeiro lugar, é importante entender que o pacote turístico envolve a operação do roteiro. Ou seja, é criado um roteiro comercial, que deixa claro qual o passo a passo da viagem. Quais serão os passeios, quanto tempo irão durar e quanto custam. E ainda incluem os custos de transporte, hospedagem e alimentação, por exemplo. Esse valor é todo compilado, onde é adicionado o “mark up” da operadora de turismo, que irá disponibilizar esse pacote turístico para venda. Entraremos mais no detalhe dessa operação em um post futuro.

Enquanto o roteiro turístico apresenta de forma clara, didática e promocional como circular por um destino turístico. Portanto é importante entender que um roteiro não precisa, e não deve ser precificado pelo destino, uma vez que o turista irá circular de acordo com sua vontade e disponibilidade. Porém, orientado por uma temática. Essa temática é que dará uma personalidade ao destino.

Princípios básicos da roteirização

Agora que você já sabe a diferença entre pacote e roteiro turístico, vamos focar na roteirização do destino. Antes de mais nada, para iniciar a roteirização é importante responder algumas perguntas:

* O meu município ou região turística já possui fluxo turístico?

* Se sim, quais opções temos a oferecer?

* Se não, o que podemos oferecer que já está estruturado para receber turistas?

* Existe uma segmentação principal que leva (ou levará) pessoas ao destino? Aventura, sol e praia, cultura, gastronomia, religiosidade?

* Essa segmentação dá para ser trabalhada o ano todo, ou apenas em períodos específicos?

Se você consegue responder a essas perguntas, excelente! É hora de definir quais os pontos de visitação do seu roteiro, baseados na ou nas segmentações escolhidas. Com a finalidade de já iniciar um processo de apropriação desse ou desses roteiros, se possível fazer essa construção de forma participativa, envolvendo as partes interessadas no desenvolvimento do turismo do destino, melhor ainda.

Pontos e atenção na estratégia de roteirização turística

A roteirização de um destino turístico certamente irá levar os viajantes autoguiados, aqueles que tem prazer em organizar a própria viagem. Então é essencial que o roteiro deixe claro quais são as formas de se movimentar por ele. Se é possível ir a pé, de carro, de transporte público, de taxi local ou carro alugado, ou até mesmo se existem receptivos que fazem aquele roteiro. Tanto quanto deixar claro os acessos, e acessibilidade do destino, é importante que o roteiro esteja sinalizado. E não apenas a sinalização rodoviária ou indicativa de atrativos, mas a sinalização que aborda a segmentação do roteiro. Se ela for física, ótimo! Se não, é importante que existam outras formas de sinalização: mapas, aplicativos ou qualquer forma criativa e acessível.

Mais um ponto de atenção, é não incluir hospedagens e alimentação no seu roteiro, a não ser que uma delas se configure também como um atrativo turístico. Afinal, essa parte deve ser explorada pelos empreendedores do destino.

Pessoas: elas são essenciais em um roteiro

Não adianta o roteiro existir apenas nas reuniões, ele precisa existir de fato. E como fazer isso? As pessoas que moram e trabalham no destino precisam se apropriar do roteiro. Se for um roteiro regional, por exemplo, é importante que todos saibam quais cidades fazem parte dele. É óbvio, mas não se engane, esta é uma das partes mais complexas da roteirização. Um caminho inicial é treinar os principais pontos de atendimento ao turista do roteiro. 

Por último, dou ênfase neste item citando o velho guerreiro Chacrinha: “Quem não comunica, se estrumbica”. É preciso contar para todo mundo que existe um roteiro, qual a segmentação dele, como se movimentar e o que fazer. Ah! E imagens! Muitas imagens e histórias. Turismo é visual, é emocional! É feito por pessoas e para pessoas! Existe sim um cenário, sempre haverá, mas sem as pessoas?! Nada feito. Então tenha também uma estratégia de comunicação e marketing bem definida.

Quer saber como foi feita a roteirização do Circuito do Ouro, em Minas Gerais? Confira o vídeo no canal da Isabella Ricci no YouTube.