Na batalha turística de domingo, no meu Instagram @blogdaisabellaricci, o tema foi “Segmentos do Turismo”, e para saber quem foram os escolhidos do público é só conferir nos destaques. Além de falarmos sobre destinos, é necessário também percebemos o que envolve os destinos e porque alguns se destacam tanto sobre outros. Obviamente que um planejamento turístico bem feito, vai contribuir em muito para um destino se destacar. E se dentro do planejamento, ainda houver espaço para a segmentação turística do destino, melhor ainda. Mas atenção, para segmentar é necessário estudar, entender e ainda, ter maturidade para escolher. Vamos entender porquê?

O que é segmentação turística?

Na década de 50 Wendell Smith publicou um artigo intitulado “Segmentação de mercado e diferenciação de produto”, que colocava que o marketing deveria ser trabalhado considerando que o “mercado é heterogêneo, com demandas divergentes”, e portando indo na contramão do marketing de massa, trabalhando com grupos específicos de consumo e dessa forma fragmentando o mercado em diversos segmentos.

No turismo, a segmentação parte de um fragmento da oferta turística, para assim direcionar um destino para um segmento específico. Esta estratégia, bem trabalhada, é capaz de dar ao destino turístico uma identidade, e dessa forma direcionar esforços tanto de marketing, quando de estruturação de atrativos e apoio aos empreendedores.

Por que é importante segmentar?

A segmentação turística permite que um destino crie uma imagem forte sobre um determinado tipo prática turística. Portanto, a segmentação turística, por si só, já é capaz de segmentar público, perfil sócio econômico e faixa etária, por exemplo. Dessa maneira, todo o plano de marketing e comunicação do destino ficará mais claro, posicionando-o para um grupo específico de consumidores.

Outro ponto importante da segmentação, é a possibilidade de roteirizar o destino com maior competência. Já falei aqui sobre roteirização turística, em duas partes. Na parte 1, abordei a diferença entre roteiro turístico e pacote turístico, quais são os princípios básicos da roteirização e quais são os pontos de atenção em uma estratégia de roteirização turística. Já na parte 2, um explicativo sobre o porquê de roteirizar um destino turístico, quais os benefícios (se ainda não ficou claro) e aí sim, sobre o plano de marketing.

Portanto, fica claro que segmentação e roteirização vão compor a forma de um destino se apresentar e se comunicar com um público específico. Esta estratégia irá possibilitar trabalhar um público mais qualificado e adequado para os diversos tipos de oferta turística.

Cuidado, não dá para abraçar mundo!

Mas muita atenção ao segmentar um destino turístico. Será necessário priorizar alguns pontos em detrimento de outros. Não dá para querer segmentar e trabalhar muitos segmentos em um mesmo destino. Feito isso, corre-se o risco de criar confusão na cabeça dos consumidores. Porém, isso não quer dizer que o destino deverá abrir mão de um ou outro atrativo que não se adequa ao segmento prioritário. Mas esses atrativos não estarão na vitrine do que será apresentado ao seu público final, eles entrarão mais como um elemento surpresa do destino.

Por isso falamos da importância da maturidade ao definir qual ou quais serão os segmentos turísticos a serem trabalhados. É importante entender o que terá maior destaque e o que terá um destaque menor. E até mesmo, quais não terão destaque algum, eventualmente.

O ideal é que estas decisões sejam tomadas de maneira colegiada, com a participação dos atores envolvidos na cadeia produtiva do turismo do destino turístico. Só assim será possível legitimar o segmento adotado a partir de então.

Conheça alguns destinos que investiram em segmentação turística

Circuito do Ouro em Minas Gerais: O Circuito do Ouro possui 14 cidades da época do ciclo do ouro em Minas Gerais. Era percebido apenas como um destino histórico cultural. Com a roteirização e a segmentação destes roteiros, foi possível segmentar cada um deles, ampliando a oferta turística regional. Atualmente, é possível encontrar por lá, além do histórico cultural, os seguintes segmentos: gastronômico, ecoturismo, rural e religioso.

Nova Zelândia: Quando se fala neste destino, logo vem à nossa cabeça a natureza. A Nova Zelândia se especializou nos segmentos de ecoturismo e turismo de aventura, bem como desenvolvimento sustentável a partir da atividade turística. Dentro desta segmentação, é possível encontrar por lá atividades e empreendimentos para todos os tipos de bolso.

São Paulo/ SP: Uma cidade que sempre foi percebida como destino de negócios, apesar de manter este posicionamento, nos últimos anos vem trabalhando também como destino cultural. Tendo em vista tudo que é oferecido para os paulistanos, a cidade percebeu que tanto para quem vai só a passeio como para quem está por lá a negócio, é possível oferecer uma grande quantidade de experiências na cidade que não para.